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E pro SAMBA, tudo ou nada? Tudo!


Hoje é o Dia Nacional do Samba.

Sou supeito pra falar dele. Plagiando Mário Sérgio e Sereno, do Fundo de Quintal, o samba “vai bater em mim eternamente, como se fosse a corrente de um rio seguindo de encontro ao mar”. Outra definição que gosto, vem de outro sucesso da rapaziada do Fundo – A Batucada dos nossos Tantãs – que diz “Samba, eterno delírio do compositor, que nasce da alma, sem pele, sem cor… com simplicidade, não sendo vulgar”.

Hoje é um dia especial. E um fato curioso é que o Dia 2 de Dezembro foi escolhido quase que por acaso. Pelo que sei, essa data foi escolhida por um vereador da Bahia, já que neste dia o compositor mineiro Ary Barroso pisou, pela primeira vez, em solo baiano. Ary, que tanto cantou a Bahia, chegava em Salvador num dia 2 de dezembro. O vereador propôs o dia e ficou!

A origem da data é o de menos. O que vale é que hoje é dia de festejos. Hoje, o Trem do Samba partirá da Central. Inúmeros trens, dezenas de vagões, muita gente e vários artistas que cantam Samba.

Pedra do Sal

Hoje é dia de lavar a Pedra do Sal. Ali, no Porto, o nosso samba chegou. Desembarcou no Rio de Janeiro, de Semba se fez Samba, cresceu, amadureceu, agonizou, mas nunca morreu.

Pronto, já estou usando versos de vários compositores. Não poderia ser diferente. O Samba fala da nossa vida, da gente, do sentimento mais puro, disfarçado de simplicidade, porém verdadeiro e com uma beleza que a gente enxerga ainda mais quando é vestida com a melodia. Melodias únicas e geniais. Fala de amor, de resistência, da mulher, da alegria, da tristeza, do trabalho, do dia-a-dia…

Isamael, Sinhô, Noel, Donga, Pixinguinha, Cartola, Candeia, Nelson Cavaquinho, Dona Ivone, Dona Zica, Neuma, Dona Eunice da Portela, Zé Ketti, Manacéia, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Arlindo Cruz e todos os que ainda nos dão músicas de presente. A galera da antiga, que era marginalizada e perseguida pela polícia mas fazia samba por amor, é a responsável por isso. Esse pessoal lutou pela bandeira do Samba e merece sempre ser lembrado.

A luta continua, o samba ainda é visto de maneira diferente. Muitos dizem que gostam de Samba, mas o definem apenas como um ritmo de “dedinho pro alto, cerveja e mulher”. A valorização que dizem que o samba recebe de grande parte da sociedade ainda é bem superficial, infelizmente. Merecia mais.

Zé Ketti

Vejamos a resistência nos versos de Zé Ketti: “Eu sou o Samba, a voz do morro sou eu mesmo, sim senhor, quero mostrar ao mundo que tenho valor…”;

Paulinho da Viola - O Globo

A tristeza e desilusão nos versos de Paulinho em Dança da Solidão: “Camélia ficou viúva, Joana se apaixonou, Maria tentou a morte por causa do seu amor. Meu pai sempre me dizia: Meu filho tome cuidado, quando eu penso no futuro, não esqueço do passado…”;

Noel Rosa

O cotidiano retratado por Noel Rosa: “Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa… Uma boa média que não seja requentada, um pão bem quente com manteiga à beça, um guardanapo e um copo d’água bem gelada. Feche a porta da direita com muito cuidado que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol… Vá perguntar ao seu freguês do lado qual foi o resultado do futebol…”;

Nelson Cavaquinho

O que dizer desses versos de Nelson Cavaquinho, cheios de esperança, que encaixam muito bem aos dias que estamos vivendo na nossa cidade? “O sol há de brilhar mais uma vez. A luz há de chegar aos corações. Do mal será queimada a semente. O amor será eterno novamente…”;

Pra não dizer que não falamos de amor, observemos essa letra de Candeia, Alcides – o malandro histórico da Portela – e Manacéia. Um jeito diferente de falar e se declarar a um amor: “Eu vivia isolado do mundo, quando eu era vagabundo, sem ter um amor. Hoje em dia, eu me regenerei, sou um chefe de família da mulher que amei…”

Que o samba seja eterno e que os poetas continuem inspirados para sempre. Que Deus ilumine os que ainda estão na luta: Arlindo, Sombrinha, Zeca, Teresa Cristina, Casuarina, Pedrinho Miranda, Paulão 7 Cordas, muitos outros! Mais de mil! Todos os poetas! Até eu (rs!), que rabisco despretensiosamente uns sambinhas, junto com meus parceiros: Leandro Nogueira, Luiz Gustavo, Deco, Igor do Cavaco, Clébson Prates, Jeferson Lima, Jorginho Moreira, Hélio Luna, Joe, Rogerinho… e com a ajuda dos intérpretes: Lico Monteiro, Zé Paulo Sierra e Caco.

Jorginho Moreira, Gustavo, Igor, Leandro, Gabriel e Deco

Valeu, rapaziada!

—————

Por Gabriel

 

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Sobre Gabriel Carqueijo

Contador, 29 anos, Flamenguista e Portelense, pai, marido, filho, irmão e amigo.

Discussão

13 comentários sobre “E pro SAMBA, tudo ou nada? Tudo!

  1. po, poeta! Chorei!

    Publicado por leonogueira | 02/12/2010, 10:16 am
  2. Lindo o post…quem te conhece sabe que cada palavra que você usou foi de coração aberto. Vc ama isso!
    Um poeta que não escreve mais é como um pássaro dentro da gaiola! Fica triste e a vida sem sentido…eu sempre te apoiarei porque sei o quanto isso te deixa feliz, mesmo não sendo fácil para te acompanhar…
    Adorei no final essa declaração aos ‘poetas’, como vocês respeitosamente se tratam. Vocês não podem nunca se separar, porque juntos demonstram como é possível ter amizade verdadeira em um grupo tão diferente em cada personalidade.
    Amo todos os amigos, mas amo principalmente você, que apesar desse jeitão meio nervoso, é a cola que une e motiva a todos!
    Cada um com seu jeito…desejo de coração que o samba não pare jamais!

    Publicado por Li. (salvemequempuder) | 02/12/2010, 10:30 am
  3. Realmente…

    Publicado por Fabricio | 02/12/2010, 11:47 am
  4. Gostei do “Deus ilumine os que ainda estão na luta”.

    Muito bom poeta!

    Parabéns a todos que curtem samba pela data de hoje.

    Sds

    Publicado por SILVA | 02/12/2010, 12:48 pm
  5. Eu que sei o quanto vc ama o samba!
    Papai já era fanático! Vivia no bafo da onça, no Cacique de Ramos… saia em todos os blocos! Como gostava de carnaval aquele veio! Não foi a toa que, mesmo depois de doente, ele nunca esqueceu o samba da sua escola querida: “Mangueira teu cenário é uma beleza. Que a natureza criou. O morro com seus barracões de zinco..”
    Ele se foi (quantas saudades!) e deixou a cópia… vc! rs
    Como gosta de escrever! A primeira “obra” que eu lembro, foi o rap do Nelinho (rs). Sim, não foi samba… mas já era o começo!

    Depois foi para o Passa Régua! Belíssimas obras! Euzinha sempre junta… pulando igual uma doida no meio da praça do IAPI! rs
    Depois foi pra Imperatriz. E eu lá… sempre junto!
    Veio a Renascer! Juro que não levei fé no primeiro ano! E não é que vcs ganharam!? MENINOS DE OURO!
    VAI RENASCER A ESPERANÇA… O samba net é nosso! Que festa linda!

    Gabriel, Leandro, Gustavo, Deco e Igor, eu sou fã de vcs! É uma emoção muito grande quando chega a hora da apresentação do samba de vcs na eliminatória. Eu fico louca! Eu vibro cada passagem do samba! Eu torço por amor à vcs! Fico arrepiada só em olhar a felicidade nos olhinhos de cada um!
    Que essa amizade continue pro resto da vida e que vcs nunca deixem de ser NOSSOS POETAS!
    Estarei SEMPRE na torcida! Amo cada um!

    Publicado por Viviane | 02/12/2010, 1:50 pm
  6. Belíssima a escalação do time, nobre Gabriel…
    Mas eu tenho andado muito desesperançoso com relação aos rumos que o samba/ escola de samba vêm tomando. Eu que vi todos esses relacionados ao vivo, cantando um repertório de sambas maravilhosos, tenho poucos motivos para me animar com o dia do samba. Fiz até um samba manifestando essa saudade/queixa. em uma oportunidade cantarei-o pra ti. Segue a letra, e espero que goste…
    Queixa
    Aranha.
    Quem disse que o samba agoniza mais não morre
    foi Nelson sargento da Mangueira
    Me permitam discordar, desse mestre singular
    Um raro pilar, do samba raiz verdadeira
    Se o que ouço na avenida, me faz crer que essa batida
    É qualquer coisa que sei lá
    Mas não é o mesmo samba, a mesma escola de samba
    Onde aprendi a sambar.

    Como é que eu vou na Imperatriz, sem ver Matias e Bidí?
    Como é que eu vou lá na Mangueira, sem Cartola e Jurandir?
    Lá no Salgueiro o Djalma Sabiá posso encontrar
    Mas vou sentir a grande falta de Anescar.
    Lá na Portela o estandarte não pertence mais a Vilma
    E no Império tem Vinícius, mas não tem Ivone e Silas

    NÃO VOU! A SAUDADE NÃO ME DEIXA…
    SÓ VOU SE DEIXAREM EU CANTAR A MINHA QUEIXA
    Mas eu não vou, a saudade não me deixa
    Só vou se deixarem eu cantar a minha queixa

    Como é que saio no Bafo da Onça de Oswaldo Nunes?
    E no Cacique de Ramos sem ver Luiz Carlos da Vila ?
    E lá na Vila é raridade ouvir um samba de Martinho
    Só ouço samba funcional e moderninho

    Não vou! A saudade não me deixa…
    Só vou se deixarem eu cantar a minha queixa
    Mas eu não vou, a saudade não me deixa
    Só vou se deixarem eu cantar a minha queixa

    Abrax!

    Publicado por Aranha | 03/12/2010, 6:55 pm
  7. Ah! E é verdade mesmo, o samba tem agonizado bastante ultimamente. Tudo em nome da funcionalidade e, no caso dos sambas de meio de ano, tudo em nome da comercialização.

    Publicado por gabricarqueijo | 04/12/2010, 6:13 am
  8. Valeu, nobre Carqueijo!
    É que não tenho como gravá-lo agora, mas vou gravar no celular da filhona e te mandar, mesmo que não fique com qualidade, mas só para ouvires. Ano que vem, estará no concurso da light, se Deus quiser…

    Publicado por Aranha | 04/12/2010, 7:45 am
  9. Show de bola, Aranha!!!!!!!

    Publicado por leonogueira | 05/12/2010, 11:41 am
  10. Show de bola, Aranha. Bota no concurso mesmo, pô! Já tô na torcida!

    Publicado por gabricarqueijo | 06/12/2010, 7:34 pm

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